Nota do Editor: Encontrei este texto no site (http://www.arake.com.br/2009/11/14/a-imagem-do-advogado-por-um-nao-advogado/), foi escrito pelo advogado About Henrique Arake, e é muito bom e engraçado..

Só um comentário... eu não trabalho de terno.. rss.

 

Prezados leitores, Este é um post rápido, ligeiro, escrito enquanto o chefe não olha e o cliente não liga. Inspirado em um e-mail, enviado para uma lista de marketing jurídico da qual faço parte, por meu colega Rudinei R. Modezejewski (leia-se: “Mojdaerjaszovski”), proprietário da E-marcas e idealizador e fundador da Lex Perfecta (na qual ele ainda não me deixou entrar por puro preconceito étnico  e que já mencionamos em outra oportunidade) (UPDATE: para quem não entendeu, foi uma brincadeira com meu caro amigo Rudinei. Na verdade, desde o início de 2010 eu e o escritório ao qual sou associado, estamos na rede.), dou minha resposta à seguinte pergunta:

- Por que cobrar honorários justos (sim, EXISTEM honorários justos) é tão complicado?

Resposta óbvia: Por conta da imagem do advogado que permeia o senso comum! - O quê?

A imagem do advogado é ruim de uma forma geral? NÃO CREIO!

Pois, é, acredite você: o advogado é mal-visto no Brasil!

Quem aqui nunca ouviu (ou fez) comentários maldosos do tipo:

- “Cuidado com os bolsos, ele é advogado!”,

- “Sabe o que é uma van cheia de advogados no fundo do oceano? Um bom começo!”

e a campeã “Sabe porque cobra não pica advogado? Ética profissional.”

… se você riu de alguma delas, você NÃO é uma boa pessoa…

Há várias explicações para isso, aliás, fazendo uma mea culpa por todos os meus colegas de profissão, sempre joguei a culpa para o comportamento pouco ético de ALGUNS advogados, que, em bom português, “queima o filme” do restante.

O nobre colega que citei acima trouxe uma nova hipótese, que não tinha pensado ainda.

Via de regra, os clientes, atuais e potenciais, estão mais preocupados com o que EU, advogado, vou ganhar, do que com o que ELES vão tirar de benefícios (ou deixar de perder) por me contratar!

Cansei de ouvir expressões do tipo “ah, meu advogado levou 10% de mim” ou então “O quê? Mas essa causa é ganha e vai ser ótimo pra sua experiência ter um cliente e um caso como o meu!”.

Minha resposta é um sorriso educado, pois minha criação nipobrasileira me possibilita ser educado nas mais adversas situações.

Claro que depois eu desconto no cachorro lá de casa (brincadeira, eu amo aquela peste peluda).

Meu sonho de consumo é que, em um dia que NUNCA VAI CHEGAR, qualquer um, qualquer pessoa, poderá ajuizar ação na justiça SEM advogado.

Acho que, após um ou dois meses, passarão a valorizar o nosso trabalho. Segunda hipótese: clientes acham que, por acreditarem (obviamente) que têm razão, o reconhecimento pela Justiça será imediato, automático: entrou, GANHOU! DING-DING-DING!

O papel do advogado é só colocar os fatos no papel, misturar com palavras mágicas do tipo quantum satis, periculum in mora, fumus boni iuri, hocus pocus alakazam e “VOALÁ!” grana no bolso!

Data venia, não. Rudinei fez uma comparação com relação aos advogados norte-americanos.

Lá, a coisa é diferente, clientes lá dizem com orgulho: “resolva isso com MEU ADVOGADO”.

Aqui, não. Aqui, MESMO QUANDO O CLIENTE GANHA A CAUSA, aparentemente fica aquele gostinho de “o advogado ganhou mais do que merecia” ou, o já tradicional, “o advogado me levou TANTO”.

Aliás, ser associado a um advogado?! Pra quê? Por que motivos você precisa ter um advogado no speed dial? (cochicha-cochicha…ser associado a um advogado te dá uma imagem de picareta)

Como esse blog não é acessado por empresas que possuem diretores jurídicos, não vou nem adentrar a imagem que eles, em geral (apesar dos perigos da generalização) fazem de nós, quando terceirizam algum trabalho.

Simplifiquemos assim: se ele é um diretor jurídico e você NÃO É… bem… pra quê palavras, certo? Outro… estereótipo que acompanha todos os advogados.

Considerando que somos as únicas criaturas (não paulistas) que andam 16 horas por dia de de terno (nem GERENTE DE BANCO anda tanto de terno quanto nós – cara, nem juízes!) e considerando o PREÇO de um terno e gravata que VOCÊ gastou na última vez que vestiu um terno (enterros, formaturas, casamentos), certeza que essa fuinha que fala difícil ganha bem o suficiente pra te fazer um “favorzinho”.

Saibam vocês que, segundo o quadro de profissões com melhor desempenho financeiro divuglado na última Veja, os advogados estavam em 17º. DÉCIMO SÉTIMO!

Particularmente, se eu pudesse, trabalharia de calça jeans surrada o dia inteiro (menos pra atender cliente, porque aí já é desrespeito).

 

Direito & Mercado  – Quem disse que o Direito não pode ser legal?