Contribuição ao Funrural não incide sobre produtos comercializados pelo produtor rural

A 7.ª Turma do TRF da 1.ª Região entendeu que a incidência do Funrural sobre a comercialização de produtos agrícolas pelo próprio produtor rural configura bitributação, e ainda ofende o princípio da isonomia e criação de nova fonte de custeio sem lei complementar.

De início, o relator, juiz federal Henrique Destêrro, lembrou que a jurisprudência da 7.ª Turma era no sentido oposto. No entanto, devido ao entendimento contrário adotado pelo STF, a Turma se realinhou no sentido de acompanhar o entendimento da Suprema Corte, que declarou inconstitucional a incidência da contribuição sobre a receita bruta da comercialização da produção pelo produtor rural, pessoa natural.

Em seu voto, o magistrado repetiu os argumentos usados quando proferiu a decisão que posteriormente foi alvo de agravo regimental. Disse o relator: "Todavia, a matéria foi objeto de recente julgamento pelo Supremo Tribunal Federal, que consolidou o entendimento no sentido da inconstitucionalidade da contribuição em comento, uma vez que a respectiva incidência sobre a comercialização de produtos agrícolas pelo produtor rural, pessoa natural, configura bitributação, ofensa ao princípio da isonomia e criação de nova fonte de custeio sem lei complementar".

Deste modo, como o entendimento já estava sedimentado no STF, a Turma aplicou a mesma orientação, destacando jurisprudência da Suprema Corte e do TRF1 (RE 390840 e AMS 0002796-82.2008.4.01.3600/MT, respectivamente).

A Turma, à unanimidade, acompanhou o relator.

Processo 0041375-59.2013.4.01.0000/MG

Fonte: Tribunal Regional Federal da 1ª Região

PRODUTOR RURAL - Receba de volta o FUNRURAL

O que é Funrural?

Funrural é uma contribuição social que deve ser paga pelo produtor rural em percentual sobre o valor total de suas receitas. Quem recolhe esta contribuição é a empresa para quem o produtor vendeu, mas o contribuinte é o produtor.

Porque os Produtores rurais têm direito de receber de volta os valores pago a título de Funrural ?

O STF em 03 de fevereiro de 2010 considerou que esta contribuição foi instituída de forma inconstitucional determinando que cesse a cobrança destes valores para aqueles que entrarem na justiça bem como para que lhe devolvam os valores que estes pagaram nos últimos 5 (cinco) anos. (Obs. 10 anos para quem entrou na justiça até o dia 08/06/2010).

Mas quem tem o direito de receber o dinheiro a empresa que comprou o produto ou o produtor ?

O Produtor Rural pessoa física ou jurídica é quem tem direito de receber de volta os valores pagos a título de FUNRURAL . Explica-se. Apesar das empresas (engenhos, frigoríficos, etc) recolherem o FUNRURAL no momento da compra do produto, elas o fazem descontado o valor do produtor, o qual é o real contribuinte, o chamado sujeito passivo tributário do Funrural, assim como foi do produtor que o dinheiro foi descontado é ele que tem direito a receber de volta os valores. Quanto as empresas, as que desejarem poderão entrar na justiça para se verem livre do dever de pagamento e, bem como para se desobrigarem de qualquer dívida relativa ao FUNRURAL.

Preciso entrar na justiça para receber este dinheiro ?

Sim, é necessário que você entre na justiça para receber o dinheiro, uma vez que cada ação judicial só atende aos interesses de um produtor, assim mesmo que o STF já tenha fixado a questão é necessário que você entre na justiça - apoiado nesta jurisprudência - e solicite o seu dinheiro de volta.

Como funciona esta ação judicial ?

Você vai entrar na justiça federal requerendo que seja declarada a inconstitucionalidade do FUNRURAL e devolvidos os valores cobrados a tal título nos últimos 5 anos, sendo que demonstraremos este nosso direito com base no julgamento já proferido pelo STF. A ação vai então ser contestada e o juiz irá julgá-la provavelmente já de acordo com a decisão do STF, mas se ele não fizer isto o processo vai ter recurso que vai acabar no STF o qual como já se manifestou sobre a questão com base na lei dos recursos repetitivos vai manter a sua decisão declarando inconstitucional o tributo e mandando devolver os valores cobrados. A União Federal então vai ser intimada a apresentar em juízo os comprovantes de recolhimento realizados em nome do produtor (também poderemos apresentar os talões de produtor se for o caso). O processo vai para a contadoria onde serão apurados os valores e ao final o governos vai ser intimado para devolver o valor pago devidamente corrigido e atualizado e com juros a partir da citação. Se o valor a lhe ser devolvido for inferior a 60 salários mínimos você irá receber o valor em até 6 meses, se for maior em até 1 anos após o cálculo.

Quanto tempo demora esta ação?

É lógico que não podemos responder com precisão tal pergunta, vez que sabe-se lá o que vai acontecer com o judiciário nos próximos anos, no entanto, baseado em nossa experiência e diante do fato de que a decisão do STF a princípio vincula todo o poder judiciário se espera que estas ações sejam julgadas de forma muito rápida, talvez em 6 meses, assim imaginamos que você deverá estar recebendo o seu dinheiro em no máximo dois anos após o ajuizamento da ação.

Todos os produtores rurais podem entrar com a ação para recuperar o Funrural ?

Na medida em que o Funrural foi declarado inconstitucional parece claro que todos os produtores rurais, empregadores ou não, podem ajuizar a ação para buscar receber de volta os valores pagos a título de FUNRURAL. É interessante salientar que agora em 2014 o STJ por maioria de votos, decidiu alinhar sua posição à do Supremo Tribunal Federal (STF) e reconhecer a extinção definitiva da contribuição ao Fundo de Apoio ao Trabalhador Rural (Funrural) incidente sobre a comercialização da produção do empregador rural pessoa física.

O STJ tomou esta decisão após julgar um recurso que atacava um acórdão do Tribunal Regional Federal da 4  Região (TRF4) que negava o pedido ao fundamento de que a contribuição incidente sobre o valor comercial dos produtos rurais, a cargo do empregador rural pessoa física, teria sido extinta pela Lei 8.213/91, mas restabelecida a partir da vigência da Lei 8.540/92.

No entanto o STJ entendeu que diante da inconstitucionalidade do artigo 1º da Lei 8.540, já declarada pelo STF deve prevalecer o entendimento de que foi extinta a contribuição incidente sobre a comercialização da produção rural do empregador rural pessoa física desde 25 de julho de 1991, com o advento da Lei 8.212 - tudo conforme o julgamento do REsp 1070441


Se entrar com esta ação e recuperar o dinheiro poderei me aposentar da mesma forma ?

Se você é produtor rural e tem empregados você já contribui para a sua aposentadoria e de seus empregados através do recolhimento sobre a folha, logo no seu caso o FUNRURAL é um absurdo completo, pois é como se você estivesse pagando duas vezes pela mesma coisa, mas só pudesse receber uma, por sinal é por isto que foi declarado inconstitucional. Logo no caso de produtores rurais com empregados não existe nenhuma relação entre o FUNRURAL e a sua aposentadoria ou com a aposentadoria de seus empregados, desta forma, mesmo que você recupere todos os valores relativos ao FUNRURAL você e seus empregados continuarão com o direito a aposentadoria intactos e sem qualquer ação. Em relação aos produtores rurais sem empregados, mas que contribuem para a previdência rural através de outra fonte pagadora ou individualmente (segurado facultativo) vale a mesma coisa que em relação aos produtores rurais com empregados, ou seja o produtor paga a previdência por um lado e o FUNRURAL pelo outro - ou seja paga duas vezes - "bis in idem" - logo nestes casos o produtor rural pode receber o dinheiro do funrural de volta sem que isto interfira de qualquer forma em sua aposentadoria. Por fim, em relação aos produtores rurais que não recolhem de forma nenhuma para a previdência (os chamados segurados especiais), nós não recomendamos que entrem com esta ação, pois nestes casos pode ocorrer interferência na aposentadoria, pois estes produtores não pagam nada para a previdência. Não obstante deve se chamar a atenção que talvez fosse melhor para estes produtores que recolhessem a previdência de forma facultativa e se transformassem em segurados facultativos, pois isto melhoraria as suas aposentadorias.

Quadro Resumo

Produtor Rural com empregados - Pode receber de volta o FUNRURAL sem que isto interfira na sua aposentadoria ou na de seus empregados. Produtor Rural sem empregados que recolhe para a previdência por outra fonte ou como contribuinte facultativo - Pode receber de volta o FUNRURAL sem que isto interfira na sua aposentadoria Produtor Rural já aposentado, com ou sem empregados - Podem entrar com a ação para receber de volta o FUNRURAL sem risco de perder a sua aposentadoria. Produtor Rural sem empregados que não recolhe para a previdência por outra fonte e nem como contribuinte facultativo - Não recomendamos entrar com a ação, pois isto pode interferir na sua aposentadoria .

Alguns Mitos e Medos que estão afligindo os produtores rurais e lhes deixando com medo de entrar com a ação do Funrural

No dia a dia temos ouvindo uma série de absurdos sobre o resultados que poderiam ser gerados com o ajuizamento da ação de reindébito do Funrural, coisas como: Quem entrar com a ação não vai poder se aposentar, ou os funcionários de quem entrar não poderão se aposentar, ou ainda as empresas que não recolheram vão quebrar se os produtores entrar e coisas do tipo. Assim no presente tópico vamos procurar esclarecer um pouco estas coisas que não passam de mito, vejamos: - Se eu entrar com a ação para buscar o funrural não poderei me aposentar, verdade ? Mentira, pois como vimos no quadro acima só não recomendamos que entre com a ação os produtores rurais pessoas físicas sem empregados não aposentados e que não contribuam de nenhuma outra forma para a previdência, todo os demais podem entrar sem qualquer medo. - Se eu entrar com a ação do Funrural meus empregados não poderão se aposentar, verdade? Mentira, pois você já recolhe INSS sobre a folha, logo o recolhimento do FUNRURAL não passa de um bis in idem, ou seja uma cobrança dupla, e é por isto que ele é inconstitucional. - Se eu entrar com a ação as industrias (engenhos, frigoríficos) vão quebrar, pois sei que muitas delas não pagaram o governo, verdade? Mentira, pois mesmo que a empresa não tenha pago o governo, elas não mais precisaram fazê-lo pelo fato do tributo ter sido declarado inconstitucional, logo ela simplesmente não precisará mais pagar o governo. Desta forma, se você entrar com a ação e ficar constatado que a industria não repassou parte do dinheiro para o governo o máximo que pode ocorrer é que o governo lhe devolva a parte que ele recebeu e lhe diga que se quiser cobrar o resto você que entre com uma ação contra a industria, Em resumo não existe a mínima hipótese do governo cobrar FUNRURAL atrasado das industrias. - Se eu entrar com a ação vou ser perseguido e o governo vai cruzar todos os meus dados e com certeza vai encontrar algo, pois no Brasil é impossível estar cem por cento em dias com as obrigações fiscais e governamentais, isto é verdade ? Mentira, pois não ocorre qualquer retalhação do governo contra quem entra com ações desta natureza, visto que isto é um direito da pessoa reconhecido pela lei, constituição e pela mais alta esfera do poder judiciário, ademais é de se deixar claro que não existe nenhum cruzamento de dados entre poder judiciário e poder executivo (governo). - Eu arrendo minha terra e recebo em produto, tenho direito a receber de volta o FUNRURAL ? Claro que sim, pois você recolhe o FUNRURAL sempre que vende a sua produção, logo você tem direito a receber os valores descontados de volta. - Eu sou contribuinte individual, mas estou atrasado, pois eu também recolho FUNRURAL, assim pago só este que é mais barato, assim se eu entrar com a ação para receber de volta o FUNRURAL vou sofrer uma execução fiscal devido ao atraso no recolhimento do INSS de contribuinte individual ? Não! de forma alguma! Primeiro porque é de se deixar bem claro que FUNRURAL não garante aposentadoria para ninguém, pois não existe uma pessoa neste país aposentada pelo FUNRURAL, o que existe são trabalhadores rurais que não recolheram para previdência e que recebem do governo como uma espécie de reconhecimento pela importância de seu trabalho um benefício social mensal e vitalício que se parece com uma aposentadoria, mas não é, pois este benefício tem a mesma natureza jurídica da bolsa família. Desta forma entrar com a ação relativa ao FUNRURAL não modifica a situação de inadimplência ou adimplência do segurado individual, junto a previdência, pois o FUNRURAL não conta para este fim. - Recebi a informação de que os agricultores familiares não podem receber de volta o FUNRURAL, visto que são segurados especiais, assim, apesar do art.1º da Lei 8540/92 ser inconstitucional haveria uma exceção para o caso dos agricultores familiares devido ao artigo 195 paragrafo 8º da Constituição Federal, regulamentado pela Lei 8212/91 artigo 25. Olha esta afirmação de ser uma das coisas mais absurdas que se pode ouvir, pois como uma lei pode ser inconstitucional para um caso e não para outro ? Isto simplesmente não existe, pois se uma norma jurídica é inconstitucional é como se ela morresse, e não tem como ficar vivo para umas coisas e morto para outras. De fato mais uma vez aqui se vê a confusão que as pessoas fazem entre aposentadoria e benefício social. Para que se entenda (Para se aposentar uma pessoa contribui mês a mês para um fundo e depois de um período x de tempo começa a receber dinheiro deste fundo conforme as suas contribuições. Benefício Social, a pessoa devido a alguma particularidade (são os segurados especiais) tem direito a um benefício social cujo o dinheiro para o pagamento vem do caixa do governo, e é formado basicamente pelos valores arrecadados com as contribuições sociais, como PIS, COFINS, etc e também FUNRURAL. Pois bem, no caso só uma destas contribuições, o FUNRURAL, foi declarado inconstitucional sendo que o governo continua a cobrar PIS, COFINS, etc.)

 Quais os documentos necessários para entrar com a ação ?

- Cópia do seu RG e do CPF (xerox simples) - Cópia de uma nota de seu talão de produtor (xerox simples) O ideal é que se pegue por amostragem uma nota a cada período de 6 meses.

Fundo na matéria: O julgamento do Recuso 363.852 no STF

O FUNRURAL foi criado na década de 1970 a fim de estender ao homem do campo os benefícios previdenciários dos trabalhadores urbanos. Ocorre que o tributo acabou por ser revogado, tacitamente, pela Constituição de 1988 quando da unificação dos sistemas previdenciários rurais e urbanos, universalizando as fontes de custeio e seus beneficiários. No entanto, o governo, com sua fome voraz tentou recriar o FUNRURAL por meio de manobras legislativas onerando o produtor, até hoje, com uma alíquota de 2,1% calculados sobre a venda de seus produtos. E pior. Ao recriar a contribuição o governo o fez de uma forma que obrigou o produtor rural a contribuir em um percentual real muito superior (para o fundo de aposentadoria do trabalhador rural) do que contribuiu o empregador urbano, o que é um disparate completo, pois como sabemos as aposentadorias do meio rural de regra são menores que as do meio urbano (ou seja paga mais e ganha menos). Quer ver a prova: O pecuarista que abate 1.000 bois durante o ano recolhe para os cofres do INSS, a título de FUNRURAL, o equivalente à R$ 26.000,00. Contudo, se fizesse o recolhimento com base na folha de salários, considerando que para o manejo de 1.000 bois ao ano necessitaria, apenas, de dois funcionários com salário médio de R$ 1.000 cada um recolheria à previdência, neste caso, cerca de R$ 560,00 ao mês (28%) ou R$ 6.720 ao ano. Uma diferença estratosférica, desigual e discriminatória. (fonte: http://www.atribunamt.com.br/2010/02/a-morte-do-funrural) Devido a esta distorção absurda há muito tempo advogados de todo o Brasil questionam a contribuição, mas a luta valeu a pena, pois em 03/02/2010 o plenário do STF decidiu de forma unânime pela inconstitucionalidade do FUNRURAL ao julgar o Recurso Extraordinário de um Frigorífico de Mato Grosso do Sul. Segundo o Supremo o artigo 1º da lei que em 1992 criou o Fundo de Assistência ao Trabalhador Rural ( Lei 8.540) e que obriga os empregadores pessoas físicas ao recolhimento de FUNRURAL é inconstitucional. O tributo é repassado ao fisco pelos frigoríficos, adquirentes da produção agrícola e pecuarista, pelo sistema de substituição tributária. Os produtores, os verdadeiros tributados, sofrem o desconto quando recebem dos adquirentes. A decisão do STF valerá até que legislação nova, com base na Emenda Constitucional 20/1998 - que modifica o sistema de previdência social - institua a contribuição. No processo que resultou no julgamento e que estava suspenso desde 2006 por um pedido de vista o ministro Cezar Peluso entendeu que a contribuição representa uma dupla tributação, já que o produtor rural que trabalha em regime familiar, sem empregados, é um segurado especial que já recolhe, por força do artigo 195, parágrafo 8º, uma contribuição sobre o resultado da comercialização de sua produção para ter direito a benefícios previdenciários. Desta forma, no entender no Ministro o artigo representa um desestímulo ao produtor rural, encorajando-o a viver da mera subsistência para fugir da tributação, em vez de dar a sua propriedade uma destinação social, oferecendo emprego e produzindo alimentos para a sociedade. Além disso, a norma não poderia ser criada por meio de lei ordinária, disseram as empresas autoras do processo, mas somente por lei complementar. Para a empresa a lei atacada, ao considerar receita e faturamento como conceitos equivalentes, promove a bitributação, devido à incidência de PIS/Cofins. Alegam as empresas que o artigo 1º da Lei 8.540/92 fere os princípios constitucionais da isonomia, da capacidade produtiva e da proporcionalidade, pedindo assim, incidentalmente, a declaração de sua inconstitucionalidade. O Plenário do STF também negou, por maioria, o pedido da Advocacia-Geral da União para que a corte modulasse os efeitos da decisão. Defendendo o Instituto Nacional da Seguridade Social, a AGU afirmou que haveria risco de uma enxurrada de ações provocar um rombo superior a R$ 11 bilhões nas contas da Previdência, já que a negativa de modulação abre a possibilidade de outros produtores ajuizarem ações pedindo restituição do que foi pago nos últimos cinco anos, direito conseguido pelo autor do processo original. Único voto discordante quanto à modulação, a ministra Ellen Gracie afirmou que uma possível enxurrada de ações na Justiça de primeiro grau vai de encontro ao esforço para tornar o Judiciário mais ágil. No entender da ministra, a restituição de contribuições ao Funrural, já efetuadas por conta do dispositivo hoje declarado inconstitucional, propiciaria um enriquecimento ilícito, já que as contribuições recolhidas no passado foram incorporadas pelos produtores aos preços dos seus produtos. é por tal razão que quem realmente pode entrar a justiça para pleitear os valores são os produtores e não as empresas compradoras, pois estas repassaram o tributo para o consumidor ou terceiro, já o produtor foi efetivamente descontado destes valores no momento da venda de sua produção para a industria. O recurso ganhador aponta que o artigo 1º da Lei 8.540/92 criou nova forma de contribuição social sobre a receita bruta decorrente da comercialização da produção rural, ao equiparar os empregadores rurais a segurados especiais. Por fim, o Funrural é flagrantemente inconstitucional e o Supremo agora jogou a pá de cal sobre o assunto e resta aos produtores rurais buscarem fazer valer a decisão da Justiça, inclusive para recuperar o que foi pago indevidamente.

 Gostaria de mais informações ?

Se você deseja mais informações você pode enviar um e-mail para o autor deste artigo gabriel@clicdireito.com.br ou ligar para o nosso escritório (51) 3023-8685 ou mesmo nos fazer uma visita em nossa sede, que fica em Porto Alegre no Bairro Bela Vista na Rua Furriel Luiz Antônio Vargas, 380/411, esquina com Av. Carlos Gomes, 590 - Edifício Nova Era. Autor: Dr. Gabriel Rodrigues Garcia

Optantes pelo Simples estão isentas da retenção de 11% de contribuição previdenciária sobre serviços

Empresas optantes pelo Simples estão isentas da retenção de 11% de contribuição previdenciária sobre a fatura de serviçosA Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) julgou, conforme o rito do recurso repetitivo, processo que questionava a isenção da retenção de 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviço pelas empresas optantes pelo Simples - Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte.A Seção, seguindo o voto do relator, ministro Teori Albino Zavascki, firmou a tese de que o sistema de arrecadação destinado aos optantes do Simples não é compatível com o regime de substituição tributária imposto pelo artigo 31 da Lei n. 8.212/91, que constitui “nova sistemática de recolhimento” daquela mesma contribuição destinada à seguridade social.“A retenção, pelo tomador de serviços, de contribuição sobre o mesmo título e com a mesma finalidade, na forma imposta pelo artigo 31 da Lei 8.212/91 e no percentual de 11%, implica suspensão do benefício de pagamento unificado destinado às pequenas e microempresas”, afirmou o relator.No caso, a Fazenda Nacional recorreu ao STJ após decisão do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1) que reconheceu que as empresas optantes pelo Simples não estão sujeitas à retenção de 11% de contribuição previdenciária sobre a fatura de serviços, prevista no artigo 31 da Lei n. 8.212/91.Ao contrário da decisão, a Fazenda sustentou que as empresas optantes pelo Simples não estão isentas da contribuição sobre a folha de salários para o INSS, pois do percentual total recolhido sobre o seu faturamento mensal há uma correspondência percentual em relação aos vários tributos englobados no pagamento único, concluindo que há compatibilidade entre a sistemática de recolhimento das contribuições sociais pela Lei n. 9.711/98 e o Simples.A Primeira Seção destacou, ainda, que a Lei n. 9.317/96 instituiu tratamento diferenciado para as microempresas e empresas de pequeno porte, simplificando o cumprimento de suas obrigações administrativas, tributárias e previdenciárias mediante opção pelo Simples. Por esse regime de arrecadação, é efetuado um pagamento único relativo a vários tributos federais, cuja base de cálculo é o faturamento, sobre a qual incide uma alíquota única, ficando a empresa dispensada do pagamento das demais contribuições instituídas pela União.Coordenadoria de Editoria e Imprensa

Não incidência de ISS sobre serviços de beneficiamento de produtos

Primeiramente, cabe explicar que no processo de industrialização o produto passa pelas etapas de beneficiamento, embalagem e distribuição. O beneficiamento é todo o trabalho de tratamento e preparo da matéria-prima para a produção do produto final. Portanto, esse tipo de serviço visa a transformar e preparar um material para uma etapa seguinte de industrialização, o qual finalizará o produto pronto para ser comercializado.

Pois bem, as empresa que praticam esse tipo de serviço não estão sujeitas a cobrança de ISS, em virtude do princípio constitucional da discriminação de impostos (artigos 153, 155 e 156 da CF) que impede a bitributação jurídica, ou seja, ou as operações se sujeitam ao ICMS/IPI ou ao ISS, não podendo haver imposição concomitante do ICMS/IPI e do ISS.

Logo, os serviços tributados pelo ISS previstos na legislação são apenas aqueles prestados diretamente ao usuário final, nunca para compor uma etapa da cadeia de circulação de mercadorias. Assim, os serviços prestados pelas empresas de beneficiamento de matérias/mercadorias enquadram-se no conceito de industrialização previsto no parágrafo único, do art. 46 do CTN:

“Para os efeitos deste imposto, considera-se industrializado o produto que tenha sido submetido a qualquer operação que lhe modifique a natureza ou a finalidade, ou o aperfeiçoe para o consumo.”

Deste modo, o que as empresas de beneficiamento fazem nada mais é do que preencher uma etapa no ciclo de comercialização da mercadoria. A transformação que essas empresas promovem no bem fornecido pelo encomendante é para posterior industrialização e comercialização, circunstância que descaracteriza do ponto de vista substancial a prestação de serviços para fins de tributação pelo ISS.

E nem poderia ser diferente, afinal, o produto industrializado e beneficiado irá compor um produto final, que será objeto de comércio e, portanto, sujeito à incidência do ICMS, em cuja base de cálculo deverá constar o valor do serviço prestado pelas empresas de beneficiamento - por estar contido na cadeia de circulação do produto final.

Desta forma, é ilegal a cobrança de ISS sobre os serviços prestados pelas empresas de beneficiamento de produtos de meio já que, na realidade, o produto final se transforma em mercadoria e é comercializado, devendo incidir sobre esse apenas o imposto de ICMS, pois, caso contrário, haverá a existência de bitributação jurídica (ISS e de ICMS), tendo duas entidades políticas (Estado-membro e Município) tributando o mesmo fato gerador, violando o princípio constitucional da discriminação de rendas tributárias.     

Quem recolhe contribuição, acima do teto, sobre duas atividades tem direito a restituição

Existem milhares de cidadãos que exercem, ao mesmo tempo, duas atividades remuneradas, com vinculação ao Regime Geral da Previdência Social, o INSS.

Em razão do exercício de atividades concomitantes o segurado sofre retenção da contribuição previdenciária sobre a folha de pagamento de todas as atividades, isso porque o art. 12, § 2º da lei 8.212/91 considera que  "todo aquele que exercer, concomitantemente, mais de uma atividade remunerada ao Regime Geral de Previdência Social, é obrigatoriamente filiado em relação a cada uma delas".

Ocorre que a lei 8.212/91 também estabelece um teto previdenciário, isto é, um valor máximo para o recebimento de benefício previdenciário, atualmente o valor do teto é R$ 3.916,20, ou seja, não será concedido nenhum benefício previdenciário superior ao limite informado.

Desta feita, se o valor que o segurado vai receber tem um limite, logo deve haver o mesmo limite para a contribuição, ou seja, se em uma das atividades o segurado já recolhe a contribuição pelo teto, não há mais necessidade de pagar a contribuição previdenciária, vez que o teto já foi atingido.

No entanto, os empregadores não fazem esse controle, o que acaba por causar prejuízos ao segurado que muitas vezes paga muito mais do que é devido, em razão do desconto efetuado em cada uma das suas atividades.

Para deixar a questão mais clara basta imaginarmos um Professor que trabalha em duas Universidades e, em cada uma delas, tem uma renda mensal de R$ 4.000,00. Este Professor só deveria ter o desconto de contribuição previdenciária em umas das Universidades, visto que já atingira o teto legal, porém,  na prática não é isso que ocorre, vez que na grande maioria das vezes há desconto de contribuição nas duas atividades. Logo, se há recolhimento de contribuição previdenciária nas duas Universidades ele terá direito a restituição de todos os valores pagos a maior.

 

Quem tem direito

 Pessoas que exercem, ao mesmo tempo, duas ou mais atividades e que tenha recolhido contribuições previdenciárias acima do teto legal para o INSS.

Para saber se tem direito, basta somar todas as remunerações recebidas. Se o valor for superior ao teto e tiver recolhimento de contribuição em todas as atividades, provavelmente, você terá direito a restituição.

Caso deseje, nosso escritório poderá auxiliá-lo nesta investigação.

 

Para buscar na justiça este direito, você deve obter os seguintes documentos:

1. Contracheque;

2. Procuração;

3. Declaração de hipossuficiência;

4. Contrato de prestação de serviços.

 

Como ajuizar a ação judicial

Nosso escritório pode fazer isto para você. Para tanto cobraremos tão somente com o sucesso (se não ganhar nada não paga nada), sendo que cobraremos 25% sobre os valores retroativos;

 

Preciso ir ao escritório para ajuizar a ação?

Sua visita será sempre bem vinda, mas você pode entrar com a ação mesmo sem vir ao nosso escritório, basta para tal enviar os documentos necessários; procuração, contrato com nosso escritório e declaração para Assistência Judiciária Gratuita (se for o caso) para nosso endereço.

Para gerar o contrato com o nosso escritório, a procuração e se for o caso a declaração para Assistência Judiciária Gratuita basta clicar no link que segue preencher seus dados e depois imprimir.

http://www.clicdireito.com.br/docs/escolha.asp 

 

Sou advogado e gostaria de um modelo desta ação

Nossos modelos estão disponíveis em

http://www.clicdireito.com.br/modelos_de_peticao.asp

 

Dúvidas?

Caso tenha dúvidas sobre a questão,  você poderá entrar em contato pelo telefone (51) 3023-8685 ou pelo e-mail contato@clicdireito.com.br

Últimos Posts

Tags