Sempre me assusto com os "sabem tudo" raivosos que comentam  sites de notícias e rede sociais, me pergunto, mas de onde vem tanta verve e certezas,  será de uma adolescência incurável ou do analfabetismo cultural?

Lendo a raiva das postagens dos xingamentos proferidos para quem pensa diferente, dos desejos de morte fico pensando... e esta pessoas se dizem cristãs ?

Como pode tanta incoerência e incompreensão do que seja ser cristão? Quando foi que dar a outra face, virou dar um tiro ? Quando foi que todos os valores humanos evaporaram da população brasileira ?

E não me digam foi a roubalheira, que foram os políticos.. pois estes só são o povo no poder.

O estranho de tudo isto é que o Brasil hoje é muito mais rico do que o país em que eu nasci.. o PIB em 1975, não era 10% do valor de hoje, a desigualdade diminui muito de lá para cá e a população cresceu pouco comparada ao PIB, o que leva a uma pergunta:

Porque esta riqueza toda não trouxe nada para a vida das pessoas ? 

E esta leva a outra porque cresce a violência, pois a riqueza e a diminuição da desigualdade não deveriam reduzir isto ? Ao que parece não.

Sei que tenho saudades do país bucólico e rural em que nasci, onde 90% da população morava no campo, onde a cultura era o do bem querer, do amor, pois o Brasil- pós êxodo rural - é um lugar amargo, sombrio, sem respeito ou amor pela vida, assustador que pouco lembra a pátria verde e amarela cantanda nos antigos sambas de exaltação a alegria.

Os números não mentem o PIB do Brasil em 1980 era de 263 bilhões , hoje é de 2,3 TRILHÕES, ou seja a riqueza aumentou e muito. Já em relação a desigualdade, os número também mostram que ela diminui, como diminui o analfabetismo, como aumentou o acesso a saúde, bem como aumentaram a quantidade de presos e também o rigor das penas.

Ou seja ao analisar os números se verifica que a criminalidade não tem relação direta nem com riqueza de uma nação (como prova a Índia e o Brasil de 1975), nem com distribuição de renda.

De fato, ao analisar o mundo de 1975 e de hoje qual a grande diferença, lhe respondo o que vejo: o aumento absurdo da anomia social, o qual - ao meu ver - foi causado principalmente pelo absurdo êxodo rural que enfrentamos entre 1960 e 1990 trazendo massas de trabalhadores do campo para cidade que acabaram em favelas.. estes por sua vez não tiveram - conteúdo aplicável a nova realidade - para passar aos seus filhos, pois frutos de uma outra realidade não reconheceram e nem foram reconhecidos pela cidade., e seus filhos cresceram assim, de costa para os pais e de costas para a cidade e desta forma acabaram sendo educados por quem tinha respostas no lugar - o crime organizado e a publicidade do você só é o que tem.

 

A anomia é um estado de falta de objetivos e regras[1] e de perda de identidade, provocado pelas intensas transformações ocorrentes no mundo social moderno. A partir do surgimento do capitalismo e da tomada da razão como forma de explicar o mundo, há um brusco rompimento com valores tradicionais, fortemente ligados à concepção religiosa. A modernidade, com seus intensos processos de mudança, não fornece novos valores que preencham os anteriores demolidos, ocasionando uma espécie de vazio de significado no cotidiano de muitos indivíduos. Há um sentimento de se "estar à deriva," participando inconscientemente dos processos coletivos/sociais: perda quase total da atuação consciente e da identidade.[2]

Quanto a igreja trocaram a de Jesus Cristo que dava a outra face, que pregava a paz, que foi morto na cruz para ensinar a não odiar, pela teologia da prosperidade onde o dinheiro é quem manda.

Dito isto chego a uma conclusão:

- Mesmo que se prendam todos, mesmo que se matem todos, não há saída a curto prazo para o Brasil, a criminalidade não irá diminuir com mais riqueza ou mais empregos, acho mesmo que a criminalidade só irá diminuir daqui a duas gerações, quando os nascidos se sentirem pertencentes, e digo mais, a única forma de realmente garantir que isto ocorra é destruindo as favelas pela urbanização e realocando estas pessoas, caso contrário elas sempre viverão em outro mundo, e como não participantes deste se sentirão no direito de se apropriar de tudo, inclusive do corpo e dos bens dos demais, visto que este é o seu direito natural enquanto não abrangidos pelo contrato social.

É uma triste situação, e, para qual não existe saída fácil, nem com rosas e nem com balas...

Infelizmente vejo que poucas pessoas têm a capacidade de ao menos tentar descobrir o real problema com ajuda da ciências, da análise econômica e social ao invés da raiva de ideologias do século passado que simplesmente não se aplicam mais a nossa realidade e não trazem nenhuma resposta ou soluções, pois a verdade é que não queremos ser um país mais rico, queremos sim ser um lugar seguro no qual possamos criar nossos filhos em paz, sem violência e vivendo de nossos trabalhos.