Quem assistiu a votação do impechment da presidente Dilma na câmara viu - mais do que um acontecimento político - o desfile do povo brasileiro. Sempre me questionei sobre a frase a câmara é a casa do povo, parecia meio forçada, mas ontem vi que não, pois estava todo mundo lá, do gordinho com cara de brabo fazendo careta e segurando placas como se em um jogo de futebol estivesse ao palhaço que faz rir. Estava lá aquele seu conhecido carrancudo e brabo que acha que no tempo dos milicos era melhor porque não tinha safadeza, apesar dele mesmo ser um safado e sempre sonegar imposto de renda e o que defende o respeito e a inclusão, mas gospe no pensamento alheio. Tinha o cabeludo nerd da faculdade e também aquela gatinha que todo mundo olha e assobia. O religioso que grita aleluia e aqueles que falam em Deus, mas são longe de serem cristãos, pois ao contrário de cristo não repartem e muito menos dão a outra face, mas sim pontapés. Havia ainda os bem intencionados, e de ambos lado é lógico, achando que estavam votando pelo país..., mas a maioria mesmo apesar do cargo ser público votavam pelos seus interesses privados, filhos, netos, cachorros.. me lembraram até o velho pugilista Maguila agradecendo ao açougueiro, por sinal teve um que foi até mais longe levou o seu filho para exercer o cargo em seu nome, mostrando todo o seu respeito ao voto popular que o elegeu, mas talvez o fez sem maldade, só por amor ao filho, tentando preparar o mesmo para seguir a carreira das dezenas de nomes antigos acrescidos de filho, neto, tataranetos que lá estavam nos mostrando como nosso povo tem memória histórica. Tinham os velhinhos, os casos de doença que falavam de seus enfermos, e aqueles que de tanto gritar pareciam que iriam cair enfartados. Foi engraçado, mas algo não se pode negar o que vimos ali, foi exatamente os representantes do povo brasileiro, exatamente como povo brasileiro é, diversificado, de ética duvidosa, apaixonado, pseudo religioso, festeiro, certo de suas verdade, pouco instruído.... É o povo brasileiro, sobre o qual o Castro Alves, lá nos idos de 1869 já escreveu:
Existe um povo que a bandeira empresta P"ra cobrir tanta infâmia e cobardia!... E deixa-a transformar-se nessa festa Em manto impuro de bacante fria!... Meu Deus! meu Deus! mas que bandeira é esta, Que impudente na gávea tripudia? Silêncio. Musa... chora, e chora tanto Que o pavilhão se lave no teu pranto! ... (Castro Alves, 1869)